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  • Rudy Rafael

As 3 feridas narcísicas da maçonaria e os delírios de grandeza em maçons

Com o surgimento da psicanálise através de Freud a humanidade teve que, novamente, assim como tivera anteriormente através de Copérnico e de Darwin, encarar a grande verdade que sempre assombra a todos os homens. O ser humano não é tão espetacular, grandioso e fantástico quanto quer parecer ser. Seja através de Copérnico, onde o homem foi chamado à realidade de que o homem não é o objetivo da Criação, seja através de Darwin, onde a humanidade se deu conta de que poderia até mesmo ser a evolução de um animal inferior, ou através de Freud, onde os seres humanos tiveram que encarar o fato de que poderiam estar sendo controlados por um elemento externo à sua própria consciência – o Inconsciente –, a humanidade encarou suas chamadas “feridas narcísicas”. As chamadas “3 feridas narcísicas da humanidade” por Freud foram momentos da existência humana onde o homem teve que ser chamado à realidade, uma realidade da qual não estava pronto para aceitar.

Compreendendo-se as 3 feridas narcísicas da humanidade como um evento de macrocosmo vislumbra-se a necessidade de pequenos cosmos enfrentarem também suas próprias feridas narcísicas, como é o caso da maçonaria. Apesar de que a maçonaria em tese seja uma escola de mistérios e uma ordem iniciática a regra é que os membros da maçonaria não a vivem como tal, o que de fato compromete o conteúdo maternal da maçonaria em razão de inscritos que não buscam de fato o autoconhecimento. O autoconhecimento dentre tantas de suas formas deve trazer ao homem a consciência de sua própria realidade e dar-lhe ferramentas para que encontre o seu verdadeiro lugar na Terra e isso só ocorrerá se ele tiver consciência de seu verdadeiro tamanho na Terra. Para o Iniciado viver o autoconhecimento primeiramente ele precisa ser mentalmente são e destituído de neurose, de psicose e de perversidade. O caminho do autoconhecimento é um caminho de verdade, não de autoengano e os delírios são sempre autoenganos.

O maçom, como membro de uma escola de mistérios e de uma ordem iniciática – a maçonaria, deveria buscar tornar-se de fato um Iniciado e acordar para a realidade espiritual e para isto deve encarar o próprio narcisismo que há em si. Narcisismo esse que apenas o afasta de sua verdadeira libertação como ser humano não apenas espiritualmente livre como também mentalmente plenamente são. Grande parte dos conflitos humanos decorre de transtornos mentais e quando há uma quantidade exacerbada de pessoas reunidas vivendo uma fantasia a combustão dos conflitos se acelera e se intensifica. O maçom buscar viver uma vida fulcrada no princípio da realidade o torna melhor não apenas para si, mas também para os outros e para a própria maçonaria. O problema maior é quando ao contrário disso a maçonaria ao invés de despertar o maçom para a realidade o embala em um mundo de sonhos disponibilizando-lhe o ambiente para cultivar psicoses de delírios de grandeza onde o maçom é o melhor ser da Terra.

A maçonaria, assim como a humanidade precisou, precisa então também passar por sua própria crise narcísica e sangrar suas próprias feridas narcísicas para que possa se curar e se tornar algo melhor para si mesma, para os outros e para o mundo. O maçom precisa encarar a si mesmo e saber racionalizar suas pulsões psíquicas que lhe condicionam a estimular-se através de delírios de grandeza que coisa alguma tem a ver com a realidade. A felicidade vem da realização plena do ser como indivíduo e qualquer delírio de grandeza faz persistir um estado permanente de infelicidade por ser uma mentira. Desta forma, passo a elencar as 3 grandes feridas narcísicas que todo maçom deve encarar, mesmo que isso lhe custe dor e sofrimento; a dor e o sofrimento que purificam como o batismo do fogo – a Verdade que liberta, para que assim o maçom possa deixar para trás o maçom ignorante que rasteja apegado ao fruto de seus próprios desconhecimentos e como fruto do meio de profanação dos conceitos maçônicos em que vive.

O maçom deve compreender que ele não é especial por ser maçom. Existem inúmeras escolas de mistérios e ordens iniciáticas que são fechadas à população como é a maçonaria, onde só há ingresso através de convite como é na maçonaria, que possuem rituais de iniciação e de passagens de graus como é na maçonaria e que possuem inclusive muito mais conhecimento iluminista e esotérico que a maçonaria. Por mais que os maçons não saibam, o próprio ritual de iniciação da maçonaria já é “inspirado” em outro ritual de outra ordem. Por mais que os maçons não saibam, os próprios templos maçônicos se diz terem sido decorados por uma outra ordem iniciática. O maçom que acha que é especial por ser maçom precisa compreender que ele não é especial por ser maçom e a única coisa que faz um maçom achar-se especial por ser maçom é a sua própria ignorância acerca de outras escolas de mistérios e ordens iniciáticas. No próprio Brasil há milhares de maçons e ninguém é “especial” por ser apenas mais um dentre tantos milhares.

O maçom deve compreender que seu grau na maçonaria não significa absolutamente coisa alguma no que diz respeito a conhecimento e sabedoria. Uma pessoa pode ter feito parte de inúmeras outras escolas de mistérios e ordens iniciáticas e ter aprendido absolutamente toda a simbologia maçônica – há maçons que pensam que o conhecimento simbólico do esquadro e do compasso é de exclusividade da maçonaria -, ter aprendido tudo sobre simbologia, esoterismo, ocultismo, kabbalah, rosacrucianismo, martinismo, gnosis, teosofia, thelema etc. e meramente por situação ter ingressado na maçonaria depois de alguém que ingressou na maçonaria há muito tempo e que por isso possui grau maior, mas não é porque alguém possui grau maior que tem maior conhecimento. Há também a questão da inteligência; uma pessoa que acaba de iniciar na maçonaria pode ter um QI muito maior do que alguém que está há 30 anos na ordem e isso lhe proporciona capacidade de aprendizado muito maior e mais rápido.

A maçonaria possui 3 graus chamados simbólicos, os quais são sucessivos: o de aprendiz maçom, o de companheiro maçom e o de mestre maçom. Sequer entrando-se nas inúmeras questões pessoais que podem diferenciar a capacidade de aprendizado de uma pessoa, como a sua própria inteligência e o seu desenvolvimento espiritual, a própria forma de escalada dos graus na maçonaria é particular. Quem “sabe mais de maçonaria”: o mestre maçom que iniciou há 1 ano e que por particularidades de sua Loja maçônica alcançou o grau de mestre maçom em 1 ano ou o companheiro maçom que iniciou há 10 anos e escolheu permanecer no grau de companheiro? O quanto um grau obtido “nas coxas” na maçonaria dá ao maçom a autorização interna para achar que é melhor que alguém de grau inferior? Maçons com graus obtidos de formas absolutamente questionáveis deveriam ter a coragem interna para enfrentar a realidade de como obtiveram os graus que obtiveram e que por isso não podem se colocar acima de outros maçons meramente em razão de seus graus.

O maçom deve compreender que ele, assim como todas as outras pessoas no mundo, é absolutamente dispensável e substituível para o Universo, para Deus, para o mundo e para as pessoas. Se o maçom ajuda uma pessoa de qualquer forma, ele deve compreender que ele não merece louro algum por isso, pois se não fosse ele a ajudar Deus faria com que outra pessoa ajudasse. Qualquer sentimento de mérito por ajudar alguém, seja financeira, emocional ou intelectualmente, não encontra amparo na grande Verdade, pois pessoa alguma é essencial à aplicação dos desígnios de Deus. Tudo o que uma pessoa precisa, seja financeira, emocional ou intelectualmente, será de alguma forma provido pelo Universo e por Deus e se não for por uma pessoa será por outra. Se o maçom se acha grande coisa por ter ajudado alguém ele sempre deve compreender que se não fosse ele seria outra pessoa, pois o Grande Arquiteto do Universo (GADU) não comete falhas e a todos é disponibilizado o que necessitam.

A obrigatoriedade da crença em Deus para ser iniciado na maçonaria, materializada através do professar da crença no GADU, faz com que o maçom tenha por obrigação ética para com a maçonaria crer na existência de Deus e tenha a obrigação moral consigo mesmo de compreender minimamente o que é o GADU.  Compreendendo minimamente o que é o GADU se compreende que ele é justo e perfeito, que sendo ele justo e perfeito sua Criação é justa e perfeita, que sendo sua Criação justa e perfeita tudo está absolutamente exatamente como deve estar, em equilíbrio e justo e perfeito. Assim, se uma pessoa necessita de um recurso ou de um amparo Deus sempre terá alguém para lhe prover o que precisa. Tudo vem de Deus e Deus sempre terá alguém para nos substituir naquilo que achamos que somos únicos. Não somos únicos, há bilhões de pessoas na Terra. Deus não precisa de alguém em específico para fazer uma ação de caridade, há bilhões de pessoas para isso e que fariam até melhor do que nós.

A maçonaria tem por obrigação fazer imperar a razão sobre a ignorância, mas se de alguma forma o maçom, ciente destas 3 feridas narcísicas da maçonaria, persiste em delirar achando que é especial por ser maçom, que seu grau obtido na maçonaria o torna de fato melhor que qualquer outra pessoa e que ele é essencial para qualquer coisa na Terra, ultrapassa-se a linha da abordagem genérica do assunto para alcançar-se a esfera pessoal do sujeito e aí deixa-se de analisar as feridas narcísicas da maçonaria como evento global na esfera maçônica para passar a pensar-se sobre o estado de saúde mental do indivíduo. Deixa-se de pensar em um problema macrocósmico na maçonaria e passa-se a pensar microcosmicamente sobre a possibilidade de algum transtorno mental no indivíduo. Se o Consciente do maçom adquire o conhecimento sobre as 3 feridas narcísicas da maçonaria e mesmo assim o maçom insiste em ver-se maior do que é, pode deixar de ser caso de psicose e passar a ser caso de perversão.

Assim, através da análise do aparelho psíquico de cada maçom através de uma terapia de psicanálise seria possível identificar no paciente maçom, remetendo-se à sua infância e à sua própria relação com os pais, qual foi a estruturação de seu aparelho psíquico que desencadeou um formato onde o Ego falha ao não aplicar o princípio da realidade das coisas – o princípio da realidade das coisas no caso tratando-se das 3 feridas narcísicas da maçonaria demonstradas neste texto – e o Superego falha ao não conseguir desencadear processos de cognição que lhe permitam vislumbrar o seu devido lugar no mundo, assim não conseguindo reprimir as pulsões inconscientes que se consubstanciam em delírios de grandeza no maçom, delírios que não apenas lhe geram caos na vida pessoal como também dentro da própria maçonaria. Seja por psicose ou por perversão, o maçom que mantém delírios de grandeza por coisas que não condizem com a realidade das coisas necessita se lapidar para tornar-se um verdadeiro homem livre.

A rejeição à razão é incompatível com o estudo da maçonaria e o maçom que rejeita a razão de que não é especial por ser maçom, que seu grau na maçonaria não significa de fato absolutamente coisa alguma no que diz respeito a qualquer tipo de conhecimento e que ele como indivíduo é absolutamente dispensável ao Universo demonstra não apenas uma rejeição ao processo de lapidar da pedra bruta a que todo maçom deve se submeter através do processo de autoconhecimento, como também poderia vir a representar um estado de perversão, pois poderia ele estar conscientemente recusando a realidade de que não é tão grandioso quanto imagina que é e o mais assombroso seria se dotado de um estado de perversão o maçom tentasse manipular seus irmãos de Loja para que fossem inseridos em uma cultura que perpetuasse seus narcisismos, mantendo a cultura da ignorância de que alguém é especial por ser maçom, que um maçom é superior a outro em razão de seu grau e que o maçom que ajuda alguém merece grandes louros.

Na maçonaria atual de fato cultivam-se delírios de grandeza entre seus membros, alimentando-se as idéias de que o maçom é especial por ser maçom, que graus superiores são olimpos para os inferiores e que aqueles que fazem uma ação em favor do próximo merecem louros demasiados e quanto mais se alimentar isso na maçonaria maior será o trauma de cada maçom que vive delírios de grandeza ao deparar-se com a realidade de que todo esse sonho de grandeza não passa de uma visão intencional e conscientemente distorcida da realidade. O problema ocorre quando a maçonaria começa a fechar os olhos para essa realidade e começa a acumular em suas cadeiras pessoas com traumas inassimiláveis de mediocridade que usarão a maçonaria para viver seus próprios delírios psicóticos de grandeza. A maçonaria não pode servir de teatro para quem quer viver uma realidade alternativa onde é o melhor ser humano que pisa na Terra. Um maçom não pode ser escravo de suas próprias mentiras, mesmo que seja através delas que ele adquira o tamanho que sonha ter.

A maçonaria como escola de mistérios tem o dever de constantemente trazer o maçom à luz da Verdade de sua insignificância perante a grandeza do GADU, sob pena de poder vir a se tornar por suas próprias características de ordem iniciática uma catalisadora de psicoses de delírios de grandeza. O medíocre encontra na maçonaria uma forma de sentir-se especial em razão das demais pessoas, pois passa a fazer parte de uma ordem onde só se ingressa por convite, encontra uma forma de impor-se inquestionavelmente sobre outros através da hierarquia dos graus maçônicos e encontra o amparo de seus próprios irmãos maçons que lhe garantem demasiados aplausos a todas as suas ações ditas de caridade, por mais inócuas que de fato possam ser. A maçonaria torna-se assim um prato cheio para os medíocres da vida profana que lhe usarão para viver seus sonhos de grandeza para suprimir as tentativas ininterruptas de seu Superego de lhe trazer à realidade de que são pessoas absolutamente comuns e medíocres.

Os delírios de grandeza que existem entre maçons, conforme as 3 feridas narcísicas da maçonaria expostas neste texto, não são frutos da maçonaria, mas frutos do próprio Inconsciente de cada pessoa, que ao ingressar na ordem traz o seu Inconsciente junto consigo e cujo transtorno mental não tem como ser analisado no processo de sindicância maçônica. O ponto é que através das próprias características de ordem iniciática o maçom doente poderia vir a expressar seus delírios de grandeza através das condutas relacionadas às 3 feridas narcísicas da maçonaria expostas neste texto e aí entra a responsabilidade da maçonaria e dos próprios irmãos maçons não alimentarem esses delírios através de bajulações inconsequentes. Enquanto delirantes se aplaudirem o delírio não acabará. É preciso romper o pacto da mediocridade onde um aplaude o delírio do outro. Enquanto houverem pessoas dentro da maçonaria que se acham melhores que as outras por coisas irreais e houver quem lhes puxe o saco o show de delírios continuará.

A maçonaria precisa sangrar as suas feridas narcísicas para que possa se curar e trazer mais sanidade mental a si mesma. A maçonaria precisa acordar para a realidade e deixar de ser um inferninho secreto para o Inconsciente de cada maçom poder viver acordado suas pulsões de grandeza. Quando a maçonaria sangrar suas feridas narcísicas em um primeiro momento haverá dor e ranger de dentes, pois a casa de sonhos irá desmoronar e todos os psicóticos com delírios de grandeza não encontrarão mais na maçonaria o refúgio para seu Inconsciente poder viver seus sonhos e assim terão que se tratar ou encontrar outro meio para vivenciar seus delírios de grandeza. É preciso romper esse ciclo vicioso de delírios de grandeza que existe entre maçons e chama-los à realidade e isso pode ser feito simplesmente parando de bater palmas para delirantes. O único lugar onde o homem tem a autorização de ser o herói que quer ser é em seus sonhos e a maçonaria não deve servir de palco para quem quer delirar grandeza.

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